Don´t panic! Dicas para professores iniciantes

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Estabelecer uma rotina e procedimentos nas primeiras semanas de aulas é uma das coisas mais importantes que você pode fazer pelos seus alunos pequenos.
Não falamos de uma rotina maçante sem surpresas e novidades. Falamos de uma rotina bem estruturada de aula que traga confiança e segurança aos alunos.

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Crianças precisam de rotina. Não podemos esperar que elas saibam o que deve ser feito ou como esperamos que ajam.

É importante ter algumas ações bem claras antes de iniciar o ano:

1- Gostaria que meus alunos formassem fila? Em qual momento? Como gostaria que esta fila fosse formada? Para que finalidade? Terei uma música para sinalizar este momento para os alunos e isso se tornar automático? Quero uma ou duas filas? Onde quero que haja fila? Haverá um líder?

2 – Como eu gostaria que meus alunos sentassem em roda? Em quais momentos? Terei uma música para sinalizar para os alunos que é o momento de fazer a roda? Teremos uma rima?

3 – Onde estão os materiais? Terão autonomia para pegar o que precisam? Criarei esta autonomia neles? Como ensinarei a usar o material? Porque acredite, vão apertar o tubo de cola e lambuzar a mão até não poder mais.

4- Onde eles devem colocar as atividades quando terminarem? Deverão chamar o professor? Deverão colocar em cima da mesa e se dirigir para qualquer outra atividade?

5- O que as crianças farão quando terminarem uma atividade mas os seus amigos não?

6 – Postura na hora das brincadeiras. Terão combinados? Construirão combinados juntos?

7 – Ida ao banheiro. Haverá momentos para isso além do pedido que pode ocorrer no meio da aula? Os momentos de lavar as mãos estão bem definidos para eles? O uso da água e claro? Não jogar  papel no vaso sanitário também está claro? Como trabalharei com isso?

8 – Quando todas as crianças quiserem falar ao mesmo tempo, como prosseguir? As crianças que quiserem falar levantarão a mão? O que fazer quando todos quiserem participar da mesma atividade?

9 – Qual volume de voz que gostaria que meus alunos se comunicassem? Eu falo neste mesmo tom de voz? Em que momento é perfeitamente normal ter crianças mais agitadas e um tom de voz mais elevado?

10 – Como irei lidar com crianças que tenham momentos de explosão e raiva?

11- Como ajudarei meus alunos a serem mais pacientes? Como posso ser mais paciente com eles?

Podem parecer perguntas tolas. Mas já vimos muitos professores não conseguirem conduzir bem as aulas ou se sentir perdido porque esperava que estas respostas viessem já internalizadas pelas crianças.

As crianças precisam de combinados e regras claras. Você precisa saber o que esperar delas e solicitar de forma que entendam.

Por mais que professores de inglês estejam ali para ensinar o idioma, ele certamente esbarrará em outras questões. É importante ter em mente que por meio do idioma podemos ensinar muitas outras coisas. O idioma é apenas uma ferramenta. Não se aprisione a ela.

 

Feito para você – Como conciliar comunicação, interatividade e disciplina

2 Thoughts

Recentemente na nossa página no Facebook ( https://www.facebook.com/MadeForTeachers ) pedimos sugestões de temas para escrever um artigo de forma coletiva.
Deste pedido saiu o artigo Feito para Você.
Como já dissemos anteriormente, temos o intuito de ajudar, formar e facilitar a prática dentro de sala de aula. Contudo ressaltamos que não há receita de bolo. Cada turma, cada escola e cada contexto tem suas peculiaridades. É importante analisar e levar em consideração todos esses fatores para planejar aulas mais significativas para ambas as partes – alunos e professores.

1. Desde os primórdios…

O ideal é que logo no inicio do ano letivo  e no inicio do segundo semestre, você estipule combinados com seus alunos. Eles devem saber como agir e o que se espera deles em termos de postura durante as aulas de inglês. Haverá um sinal entre vocês para indicar que a brincadeira, atividade ou conversa acabou? Qual será? Escolha, avise-os e mantenha essa postura sempre. Nossos alunos estão em processo de formação. Se nós temos dificuldades em mudar certos hábitos, imagine eles. Mas eles conseguem. E leva tempo. Os resultados não serão colhidos de uma hora para outra. As vezes, nem de um ano para outro. Mas faça sua parte,  No matter what…

2. Pay attention nunca mais.

Esse foi o título de um artigo que escrevemos com ideias de attention getters. Ao invés de ficarmos o tempo todo falando Pay Attention, podemos usar outras estratégias para fazer com que nossos alunos parem de falar e prestem a atenção em nós. Mais uma vez, explique e combine com eles o que deve ser feito. Dê uma conferida no artigo: http://madeforteachers.com.br/2014/08/pay-attention-nunca-mais/.

3. O que é normal? O que é demais?

Vale chamar a atenção para o que deve ser comportamento normal durante brincadeiras e atividades. Quando nos referimos a”comportamento normal”, queremos na verdade dizer comportamento esperado. Espera-se que alguns grupos:

– aumentem o volume de voz. É perfeitamente normal na hora da empolgação esquecerem que estão em um espaço de uso coletivo. Você pode fazer um termômetro de volume para eles. Sempre que estiverem ultrapassando o volume aceitável de empolgação, sinalize por meio deste termômetro que pode ser desenhado na lousa ou que pode ser feito de EVA. Para algumas turmas é necessário chamar a atenção do porquê temos que manter nosso volume de voz em um tom mais agradável. Porque para eles pode parecer só mais uma imposição da professora. Explique que outras salas estão se concentrando, há outras pessoas trabalhando e relembre da importância de ouvir o outro também. Como será que se sentem quando não conseguem ser ouvidos?

– se desentendam. Não é o que queremos, mas acontece. É importante ouvir os envolvidos e ensiná-los a ouvir uns aos outros. Um justifica e depois o outro. Deixa que exponha seus sentimentos. Mostre causa e efeito. Não tome partido. Mostre fatos e as consequências das ações.

– não queiram fazer atividades no livro. Quando uma atividade é muito legal, os alunos reclamam porque ela acabou e porque tem que usar o livro de novo. Duas coisas devem ser levadas em consideração: 1- Se o livro for visto como algo punitivo, os alunos fatalmente terão aversão a ele. Nunca o use como punição por algum comportamento (se não se comportarem não brincarão mais e usarão o livro). Tem sim como fazer do uso do livro algo bem legal. 2 – Isso pode indicar para você o quanto sua atividade foi um sucesso. Não se sinta frustrada.

– conversem paralelamente. Em algum momento os alunos vão conversar entre eles. As vezes farão até comentários relacionados a atividade que estão fazendo no momento. Observe. Se for rápido e pontual, releve. Se atrapalhar o aluno, você e os outros alunos, interfira. Seja pontual e objetiva. Mostre para o aluno que ele atrapalha a si mesmo e aos outros quando não respeita a vez do outro falar. Não seja rude. Justifique, pontue e siga em frente.  Sempre que precisar chamar a atenção de algum aluno, seja o mais justo possível e sempre justifique. Assim ele consegue entender que não é um problema com ele, mas um problema com a POSTURA DELE NAQUELE MOMENTO. Depois de alguns minutos e o problema resolvido, seja afetuosa para sinalizar que já está tudo bem.

4. Turmas Grandes? Falta de material? Don´t freak out!

Algumas outras ideias foram compartilhadas neste outro artigo voltado para professores que possuem turmas grandes. http://madeforteachers.com.br/2014/09/turmas-grandes-falta-material-dont-freak-out/

5. Planejando Atividades de Speaking:

Também já fizemos um post com poucas, mas algumas sugestões de como trabalhar speaking http://madeforteachers.com.br/2013/09/planejando-atividades-de-speaking-de-forma-significativa/. Entendemos que o pedido de ideais para este arquivo não era nem de como trabalhar speaking isoladamente, mas de como organizar melhor essas atividades com problemas de disciplina.

6. Uma reflexão

O que deve ser pensado e analisado também é o perfil da sua escola. Quantas vezes e em quais períodos os alunos tem a oportunidade de extravasar? Quantas vezes tem a oportunidade de falarem e de serem ouvidos? Há espaço para discussões entre eles e os professores? Há espaço para brincadeiras?

Se você for o único professor da sua escola que proporciona esses momentos para eles, certamente terá dificuldade em conduzir as aulas mais dinâmicas e comunicativas. E o que fazer? Mostrar para os alunos o quanto isso é bom e pode ser proveitoso para eles. E novamente, dizer o que se espera deles. Reforçamos isso porque quanto mais você for objetiva nas suas explicações, mais resultados terá. Você quer que eles brinquem ou se entrevistem, mas esquece de dizer quais combinados em termos de postura você espera que cumpram. Não tem aula que seja produtiva. Exemplo: Você pediu para que eles se entrevistassem. (Do you like vegetables?). Explicou quantos amigos deveriam entrevistar? Onde anotar e se devem anotar os resultados? O que farão com essa informação depois? A forma como devem andar pela sala? O volume de voz que você espera? Quando vão saber que a atividade acabou? O que fazer quando você disser ou sinalizar que a atividade acabou? Lembre-se: em uma sala de aula, o perigo mora na falta dos detalhes.

7. Keep Calm!

Toda vez que tenho que dar este conselho para alguém, uso as palavras de Jeremy Harmer do seu livro “The Practice of English Language Teaching” : “Despite the fact that students sometimes appear to be attacking our personality and threatening everything we hold dear, we need to remember: it´s just a job! Somehow we need to stand back from what is happening and rather than taking it personally, we need to act calmly and carefully”.

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IMPACTOS SOCIAIS POSITIVOS DA AQUISIÇÃO DE UMA SEGUNDA LÍNGUA NA INFÂNCIA

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Somos todos retalhos de uma textura tão disforme e diversa que cada pedaço, a cada momento, faz o seu jogo. E existem tantas diferenças entre nós e nós próprios como entre nós e os outros.

MICHEL DE MONTAIGNE, SEGUNDO VOLUME, I.

 

Fala-se muito das vantagens de se aprender um segundo idioma desde cedo. E muitas dessas vantagens apontadas são na maioria das vezes, direcionadas para a pessoa como falante e sua proficiência futura da língua, são benefícios cognitivos. Bilíngues são considerados indivíduos com boa memória, com uma consciência linguística apurada, mais criativos, etc.

Mas e em termos sociais? Quais as vantagens sociais de se aprender um idioma desde de cedo? Como a aquisição de uma segunda língua na infância pode nos tornar seres humanos melhores, mais pacientes e tolerantes?

Parafraseando Jeremy Harmer em seu livro “The Practice of the English Language Teaching”, a criança quando aprende um novo idioma, ela o faz indiretamente. Ela recebe informações de todos os lados e seu entendimento não depende só de explicações, o que ela vê, escuta e com o que tem oportunidade de interagir e tocar são essenciais nesse processo.

A aprendizagem e aquisição de outro idioma envolve essa percepção e observação do outro. É preciso paciência, olhar e interpretar gestos dentro de um contexto para entender o que está sendo dito para poder interagir e a aprendizagem acontecer.  Não são essas características que tanto buscamos em uma interação social até mesmo na língua nativa? Não seria esse o comportamento esperado enquanto nos comunicamos?

Sendo assim, ao estar em contato com outra língua desde pequeno, o indivíduo é capaz de perceber diferenças culturais e perceber o outro como ser humano. A criança notará uma diversidade cultural ao seu redor facilmente podendo tornar-se um adulto mais tolerante.

Se o ensino de língua começar a ser pensado sob esse prisma, a cultura, como bem colocou Claudia Hilsdorf Rocha “ passa a ser o centro de todo o processo de ensino, deixando de ser tratada como mero acessório, que cumpre papel secundário de passar informações calcadas em visões estereotipadas e monoculturais sobre pessoas e povos. “ (Rocha & Basso, 2008, p. 19).

Se a sociedade precisa de cidadãos mais tolerantes, empáticos e flexíveis, por que não começarmos esse exercício desde a infância com o ensino de uma segunda língua? Devemos “ (…) procurar auxiliar a criança a construir caminhos que a ajudem a ampliar o conhecimento de si própria e da sociedade em que vive, a compreender melhor os contextos que a cercam, fortalecendo-a com uma visão positiva e crítica de si mesma e das diferenças, a integrá-la no mundo plurilíngue, pluricultural e densamente multisemiotizado em que vivemos” (Rocha & Basso, 2008, p. 20).

Mas para isso, temos que proporcionar práticas de ensino de qualidade. Ensinar o idioma mostrando, discutindo e comparando livre de preconceitos e pré-definições a cultura na qual esse idioma está inserido.

Temos que ensinar o idioma da forma mais natural possível, para que as competências sociais intrínsecas a esse processo possam se aflorar.  Entender pelo contexto, ler gestos, tom de voz, expressão facial, perceber o outro e se perceber, saber ouvir e ter voz, podem ser benefícios ao aprender uma segunda língua. E quanto mais cedo conseguirmos desenvolver essas habilidades, mais cedo beneficiamos a nós e aos outros.

 

Referências Bibliográficas:

BASSO, E. A.; ROCHA, C. H.  Ensinar e aprender língua estrangeira nas diferentes idades – Reflexões para professores e formadores. 1ed. São Carlos: Claraluz, 2008.

HARMER,J. The practice of English language teaching. 4ed. Edinburgh: Pearson, 2007.

MALEY, A; REILLY, V; WARD, S. M. Very Young learners (resource books for teachers). 1ed. Oxford: Oxford University Press do Brasil, 1997.

Para saber mais sobre o assunto:

Research Supports Global Curriculum

Language immersion, global competence, and vibrant professional learning communities enhance student learning at Seattle’s John Stanford International School.

http://www.edutopia.org/stw-global-competence-research?utm_source=facebook&utm_medium=post&utm_campaign=STW-second-language-research-fact-repost-image

How the Brain Benefits from Being Bilingual:

http://science.time.com/2013/07/18/how-the-brain-benefits-from-being-bilingual/

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Para Refletir: Aprender um outro idioma quando sou criança, para quê?

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Atenção: Este não é um artigo para ser lido do ponto de vista do adulto. Nós, adultos, senhores de nós mesmos e de “toda sabedoria do mundo”, conseguimos responder essa pergunta em um piscar de olhos. Enumeramos incansáveis vantagens para nossos alunos pequenos de se aprender um idioma desde cedo. Mas sejamos honestos, quando dizemos para uma criança: “Você precisa aprender inglês para o seu futuro, inglês é língua franca. O seu aparelho fonador nesta faixa etária colabora para que você tenha uma boa pronúncia, etc, etc, etc,” Tudo o que a criança ouve é blá blá blá. O pai entende. A professora entende. A diretora também! Mas e a criança?

Suponhamos que sejamos capazes de usar uma linguagem mais acessível a ela. E terminássemos o discurso acima só dizendo que o inglês é importante para o seu futuro profissional e que ampliará sua visão de mundo. Ainda sim é muito vago. O que é o futuro para uma criança? A dimensão temporal para elas é bem diferente da nossa. Cinco minutos para uma criança é mais ou menos como 5 anos para nós. O FUTURO é um bicho e nem formato definido tem. E esse tal de futuro está tão longe! O que vale é o agora. E o agora significa, brincar, movimentar, se divertir.

E o que fazer? Acredito que a pergunta por que aprender inglês? quando se está inserido dentro de uma escola bilíngue, dentro de um contexto que favoreça por si só o uso do outro idioma, não deve acontecer com a mesma frequência com que acontece em aulas unicamente de inglês.

O aluno não gosta e não vê um motivo para estar aprendendo outro idioma. E se isso está acontecendo, é porque de fato ele NÃO ESTÁ USANDO O OUTRO IDIOMA. A criança precisa colocar em prática, usar, mexer, explorar, enfim, todos os verbos de ações possíveis e imagináveis deve estar inseridos no contexto escolar de uma criança. Se ela não sabe porque aprende inglês, é porque não usa o idioma nem na própria aula. Por mais que ela saiba que outras pessoas falam a língua em outro país, quantas pessoas passam o dia ao redor delas falando inglês? Se ninguém perto dela fala em inglês em momento algum, nem na própria aula de inglês, então por que ela deveria? E ela nem sabe quando vai para o outro país.

É preciso propor atividades em que os alunos conversem entre si. Pesquisas, entrevistas, projetos mudam o formato da aula e deixam o aluno mais ativo. Por que não organizar entrevistas entre salas? Uma sala vai até outra para saber qual é a cor favorita dos alunos, por exemplo e depois comparar com o resultado da sua própria sala?
Por que não ter um mascote que “só fala inglês” e os alunos precisam fazer as perguntas certas para eles? Ou ainda, que tal trocar correspondências entre salas, entre escolas, entre alunos e professores?
Até mesmo jogos. O que a criança mais gosta de fazer é brincar. É assim que ela descobre o mundo e se descobre também. Brinque em inglês. Traga brincadeiras e jogos em que é preciso haver comunicação em inglês para que a atividade aconteça.
As possibilidades são infinitas. Tudo vai depender dos recursos, do tamanho da sala, da faixa etária com a qual trabalhamos.
Mas é possível sim dar um propósito aos nossos alunos. É mais do que necessário. Sempre que possível, planeje aulas e um currículo em que a criança use efetivamente o que aprende nas aulas de inglês.

Se considerarmos os materiais na sala de aula de educação infantil como textos, podemos dizer que as palavras que mais encontraremos nesta leitura serão classificadas como verbos: toque, cheire, aperte, molhe, explore, amasse, prenda, encaixe, vire, dobre…. Ah! Seria uma lista em que muitos deles estariam conjugados no modo imperativo sendo impossível deixar de lê-los e cumprí-los.

Telma Holanda

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Inglês para crianças – Pode falar Português?

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Essa é uma das grandes perguntas de professores que lecionam inglês para criança: devo falar português em com meus alunos?
Algumas considerações precisam ser feitas em relação ao uso da língua materna no ensino/aprendizado de língua inglesa.
E antes delas serem colocadas em questão, seria importante refletirmos em cima de algumas perguntas:

- Os seus alunos possuem contato com a língua inglesa fora da escola?

- Os pais incentivam os filhos a falar em inglês?

- Como, quando e onde acontece o contato do seu aluno com o inglês?

-Você é a única pessoa responsável pelo contato da criança com a língua inglesa?

- Qual é a filosofia adotada pela escola onde você trabalha?

Estas perguntas possuem um papel fundamental para que se possa responder a pergunta do título deste artigo: Pode falar Português?

O ideal é que se fale em inglês a maior parte do tempo, na verdade, se possível o tempo inteiro.

Quando você fala inglês, dá input ao seu aluno e fornece material real a ele: o ser humano. O aluno consegue estar diante de uma situação comunicativa real e a partir dela desenvolver habilidades inclusive sociais como observar e entender gestos, expressões faciais. Consegue também entender o que acontece pelo contexto sem se desesperar.

Quando você fala português e ensina só palavras em inglês, descontextualiza totalmente a aprendizagem da língua distanciando o aluno do uso real da mesma. Quem consegue se comunicar com palavras soltas?

Se o professor mistura as duas línguas, por exemplo, se diz: “Eu tenho um dog.”, piora ainda mais a situação. Cada idioma  (português e inglês) possui seu ritmo,entonação, regras gramaticais. Se você mistura os dois, bagunça com a língua materna e priva seu aluno de descobrir essas características na língua estrangeira.

Se você observar os alunos de um professor que fala inglês o tempo todo e de um professor que fala muito mais português do que inglês, notará uma diferença gritante. Os alunos imitam o professor, os adultos são modelos para as crianças. Ao falar em inglês, você dá a oportunidade para a criança de conhecer um bom modelo para se espelhar e seguir.

É importante ressaltar que se você será um modelo, tente ser o melhor possível. Certifique-se de que está pronunciando corretamente as palavras e não há problemas estruturais em suas frases. Quando uma criança aprende errado, leva isso para o resto da vida. É muito difícil corrigir isso mais para frente. Lembre-se sempre disso.

Mas e os alunos vão entender? SIM! Eles entendem. Utilize tudo o que estiver ao seu alcance para que entendam: gestos, desenhos, figuras,objetos, mímica, outros alunos. Em alguns casos, peça que outro aluno ajude. Melhor do que você traduzir.

Entretanto, em casos extremos não tenha medo de usar o português. Há casos em que o vínculo afetivo com o aluno é mais importante em um primeiro momento do que a língua. Cabe aqui o bom senso. Suponhamos que um aluno caiu e se machucou gravemente, ou que está passando por problemas e precisa de uma atenção especial em um dado momento, lógico que você dará AFETO e o CUIDADO necessário no momento. Se o aluno já tiver um conhecimento linguístico bom e o vinculo com você for excelente, use o inglês. No livro Very Young Learners da Oxford, encontra-se uma explicação e orientação em relação ao uso da língua materna:

” In other cases, the school or education authority may insist that you do not use the mother tongue in the language class. However, many teachers are not told specifically whether they should use the mother tongue or to what extent, and consequently they are uncertain what to do for the best. Although the ultimate objective is to use only the target language in the classroom, we feel that there is some justification for using the mother tongue, especially in the early stages. The reasons are as follows:

Security For anyone of whatever age, learning a new language is a traumatic experience. Some language learners, like some swimmers, can be thrown in at the deep end and survive. For others the experience is so nerve-racking that they form a block. Small children, who have spent their time among loved and trusted people, need some time to adjust to the school environment. If the strangeness of a new school and unknown faces is compounded by having someone jabbering at them in a foreign language, the experience must be terrifying. For this reason it can be helpful to put them at ease by speaking to them in their own language and gradually weaning them on to using more and more English in class.

Need for communication Children are desperate to impart information, some of which may be totally inconsequential to adult listeners but which is of great importance to them. Communication is a vital part of the learning process but if we tell the children they can only speak in English (which of course they cannot do) it is as good as telling them to be quiet. This would be a great shame in terms of the teacher-pupil relationship. Furthermore, you can use some of the things they tell you as a springboard into vocabulary or other language work, and to help you relate activities to their interests. What a child says can also give useful feedback about how the child feels at school or even at home. ” ( REILLY; WARD: 1997,  p. 5)

Ensine classroom language – o que os alunos sempre vão dizer para você, ensine em inglês: qual é a página, posso ir beber água, meu dente caiu, esqueci o livro, etc. são frases mais do que presentes no seu dia a dia. Use a seu favor.

Também comece suas aulas com frases mais curtas e depois vá tornando as estruturas mais complexas. Exemplo: get the book, get the blue book, get the big blue book. E peça ajuda aos alunos. Assim você verifica o que já sabem e evita o uso da língua materna.

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Professores de inglês para crianças – Por onde começar?

1 Thought

Muitos professores de inglês para criança começam a lecionar para esse público sem saber por onde começar. Muitos nem imaginam durante sua formação que acabarão lidando com esta faixa etária. E por onde começar? O que precisam ter em mente? O que é essencial saber?

Certamente algumas dicas e observações deixarão de ser comentadas nesse singelo artigo que ajudará para aqueles que iniciam sua carreira agora. Mas tentaremos colocar o máximo de informações possíveis nesse espaço.

1)Fale inglês tanto quanto puder. Muitas pessoas, inclusive educadores, acham que as crianças não vão entender, ficarão perdidas, que é muito difícil para elas. Pelo contrário, elas entendem o contexto, não possuem medo de errar, repetem junto com você principais comandos. Use isso a seu favor. Não dê menos e nem exija menos do que seus alunos possam produzir e oferecer.

2)Dê tarefas que sejam possíveis de serem cumpridas. Não exija que uma criança de três anos fale inglês o tempo todo. A não ser que ela esteja dentro de um contexto bilingue e exposta a isso desde bebê. Caso contrário, não funciona assim. Quando você aprendeu sua língua materna, passou grande parte desse processo em silêncio, depois produzia uma palavra aqui e outra ali, começou a arriscar frases e tudo no seu tempo, aos poucos, por observação, imitação, associação e exposição. Exija que ela diga em inglês aquilo que você está ensinando e ensine dentro de um contexto e utiliza frases que gostaria que elas usassem dentro deste contexto. Ensine o que chamamos de classroom language: May I drink some water? Could you lend me or Can I have…?, Ensine frases curtas (It´s…. I can……, I want…..).

3) Planeje atividades com curta duração. O tempo de concentração de crianças pequenas é curto. Prepare atividades que durem no máximo 15 minutos. Diversifique as atividades.

4) Brinque. Brincar é essencial na infância. Quando você brinca com a criança, está produzindo linguagem em uma situação comunicativa real e dando input para a criança.

5) Cante. Quando você canta, também está produzindo linguagem rica e adequada para a criança.

6) Conte histórias. 

7) Escolha figuras grandes e objetos. A criança é muito visual e o tamanho da figura conta muito. A criança perde o interesse e a concentração se não conseguir visualizar o que você mostra. No caso de objetos, é por questão de segurança.

8) Use objetos e brinquedos.Quanto mais concreto, mais a criança se envolverá.

9)Seja afetivo. Quando você consegue ser afetivo e a criança percebe que você se importa, ela aprende melhor e você consegue ter uma troca infinitamente satisfatória.

10) Não encare problemas de comportamento ou disciplina como pessoais. As crianças testam limites, esquecem combinados, argumentam como exploração do mundo. Não encare como uma afronta a sua personalidade. Quando você precisar chamar a atenção ou conversar com algum aluno, tenha em mente que se você for pontual e mostrar que foi a atitude que não foi adequada dentro daquele contexto e que o problema não é a criança, em cinco minutos ela se recupera e volta a ser afetiva com você. Não use frases como você é assim, ou assado. Prefira: “sua atitude não foi adequada” e explique o porquê.

11)Não ensine palavras soltas. Quando você faz isso, limita a construção da criança e impede que ela aprenda a gramática de forma indutiva. Ela não estará exposta a língua em uma situação real. Se aprende de forma fragmentada, produz de forma fragmentada.

Veja outros artigos referentes ao assunto:

Por um ensino de língua inglesa de qualidade para crianças –  http://madeforteachers.com.br/2013/12/ensino-lingua-inglesa-qualidade-criancas/

11 Erros cometidos por professores de inglês que lecionam para crianças

http://madeforteachers.com.br/2013/09/11-erros-cometidos-por-professores-de-ingles-que-lecionam-para-criancas/

 

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Formação de Professores de Inglês para crianças – Responsabilidade de quem?

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É grande o número de escolas de inglês espalhadas pelo Brasil e a tendência é que cada vez mais haja escolas de idiomas.

O mesmo acontece com escolas bilíngues, internacionais e escolas que oferecem o inglês na grade curricular desde a educação infantil.

E de onde vem os professores de inglês que atuam nessas instituições de ensino? Qual é a sua formação? Como são preparados para atuar na profissão?

Muitos professores de inglês iniciam sua carreira em escola de idiomas porque falam inglês por terem estudado a língua sua vida inteira, por serem falantes nativos ou por terem morado fora. Há professores que atuam sem licenciatura, já que é permitido que atuem nesses estabelecimentos considerados instituições de cursos livres. Para ingressar na escola, fazem uma prova para avaliar seu nível linguístico e a partir daí, se forem aprovados, passam por um treinamento antes de entrar em sala de aula.

Só esse treinamento é suficiente para que o professor esteja preparado para atuar em sala de aula? Apenas saber o idioma é suficiente para se ter um bom professor de línguas?

Outro cenário é o de escolas bilíngues e internacionais. Os professores nem sempre possuem pedagogia, apenas são formados em Letras e pouco sabem sobre o desenvolvimento infantil, as características de cada faixa etária e tudo que é necessário para que se seja um educador infantil. Quando se contrata um professor formado em Pedagogia, nem sempre se acha um professor que tenha um nível linguístico excelente e que entenda sobre ensino/ aprendizagem de uma segunda língua.

E como resolver esse impasse? Só há uma saída diante dessas situações. Formação e capacitação contínua desses professores. É preciso analisar a situação do corpo docente que atua dentro da escola e traçar um plano de formação que envolva aspectos linguísticos e didáticos. O que infelizmente tem acontecido muito pouco. Muitas instituições querem um profissional perfeito, pronto, que domine técnicas , retenha alunos, consiga mais matrículas. Mas poucos de fato olham para a precária formação desses profissionais.

Alguns donos de escola, principalmente de escola de idiomas, veem a formação do professor não como um investimento mas como um gasto. E acham que não devem “gastar dinheiro” com um profissional que está de passagem pela profissão professor ou que em breve irá para outra escola. Engana-se quem defende este ponto de vista. Quem faz a escola funcionar são os professores, eles são o coração da escola. Tenha professores ruins, terá uma escola em decadência. Há muitos professores bons que conseguem a fidelização do aluno porque são bons. O aluno releva suas insatisfações com a escola porque o professor é capaz de fazer com que ele aprenda e esteja motivado diante da aprendizagem de uma língua apesar de todas as suas insatisfações com a escola.

Muitos professores que são passageiros na profissão, acabam se apaixonando e ficando. Com a formação adequada, todos ganham. Mesmo aquele professor que um dia pretende fazer outra coisa ou que vá para outra escola. Ele terá  o mínimo de conhecimento para atuar em sala de aula e pode ser um excelente profissional mesmo sendo temporário. E oferecer um trabalho de qualidade é mostrar respeito ao aluno, aos pais dos alunos, ao cliente. É mostrar que se faz o máximo para garantir o mínimo de qualidade dentro da escola.

O mesmo acontece com a escola bilíngue e internacional. Mas  talvez aconteça em menor escala porque escolas regulares tendem a investir mais na formação do professor por exigência inclusive do público (pai) que a procura. Mas o coordenador  dessas escolas precisa estar atento para oferecer condições para que o professor se aprofunde em sua área, trabalhe bem com ela e também que ajude o professor de inglês a ser mais crítico e reflexivo em sua prática.

Alguns professores de inglês julgam que ser fluente na língua garante uma supremacia infindável e que são superiores por dominarem outra língua. Entretanto, ser fluente não garante ser educador. É preciso estudar, ler, estar sempre a procura de discussões sobre a educação, família, disciplina e tantos outros assuntos ligados a educação.

Educação de qualidade entre os professores de inglês é um processo que passa por uma crise no Brasil. Achar bons profissionais não está fácil e as escolas precisam correr contra o tempo para minimizar o problema. É uma parceria que precisa envolver donos, diretores e principalmente coordenadores de escolas que precisam lutar para que haja uma formação adequada desses professores. O importante é não desistir de oferecer um trabalho de qualidade.

 

Para Refletir – O problema na formação de professores de inglês para crianças

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É inegável que lecionar inglês para crianças necessita de técnicas e formação específica. Curso de Letras, geralmente, tem enfoque no ensino/aprendizagem de línguas como um todo e muitas vezes nem se cogita e menciona este público no curso.No Curso de Pedagogia nem se passa perto do assunto, até porque muitos dos alunos que cursam Pedagogia nem inglês falam.

Temos sempre um profissional que fica no meio do caminho, se dermos sorte, é claro. As escolas querem um profissional completo, que entenda do desenvolvimento infantil e ao mesmo tempo como se dá o processo de aprendizagem de uma segunda língua e que o profissional em si tenha conhecimentos línguisticos impecáveis.

Algumas escolas quando contratam professores de inglês preparam ou tentam preparar o profissional com o mínimo possível para que ele entre na área sem estar completamente cru. Mas seria este preparo suficiente? Seria uma semana de treinamento suficiente para formar um profissional tão complexo? Educação no país é dinheiro. E dedicar tempo a formação profissional não é considerado prioridade. É considerado gasto desnecessário e perda de tempo. O resultado tem sido desastroso. Vende-se um curso e uma educação falha, mentirosa, virtual. E consumidor (pai) paga e por vezes chegar a descrer em bilinguismo ou o quão benéfico o ensino de língua desde cedo pode ser, porque caiu em mãos de profissionais e instituições que vendem aquilo que não podem cumprir. Uma classe inteira de profissionais e escolas pagam caro e alto pela falta de formação adequada para professores de inglês.

Se você não entende seu público, não planeja atividades específicas. Mas também se estuda demais, conhece só teoria e não consegue colocar em prática e saber como realmente acontece a dinâmica de uma sala de aula.

Como encontrar um ponto de equilíbrio? Haverá uma mudança de comportamento dentro das universidades e das escolas em relação a formação profissional de professores de inglês para crianças?

Se formos analisar de verdade essas questões, temos que nos perguntar se o Brasil caminha de fato para a tentativa de se tornar um país bílingue (por/ing.). Afinal, cultura é poder, conhecimento é poder. Estamos realmente preparados para tal?

Por um ensino de língua inglesa de qualidade para crianças

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Alguns professores apresentam um comportamento inadequado diante do ensino de língua inglesa para crianças. Apontarei alguns exemplos de posturas que podem e devem ser modificadas para que haja um ensino de qualidade para o público infantil.

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1. Falar português e em inglês em sala de aula. Muitos professores esquecem que a principal e as vezes a única fonte de input de alunos da educação infantil e ensino fundamental são os próprios professores. Para que o profissional realize um trabalho de qualidade e significativo, ele precisa adotar a postura de falar e escrever em inglês durante as aulas.

2. Esperar que as crianças sejam capazes de discernir as coisas. Isso vale para tudo, desde o uso da cola (usar menos), escrever com capricho, saber o momento de prestar atenção na aula. Você acha, de verdade, que se um professor ficar o tempo inteiro dizendo: Pay attention o aluno vai efetivamente parar o que está fazendo e ouvir única e exclusivamente o professor que nem a língua dele está falando? Em relação a pedir silencio e querer alunos mais concentrados, isso exige a elaboração de estrategias que mantenham o aluno ocupado e a habilidade do professor de  distraí-los para que na verdade os faça concentrar: fazer uma brincadeira, tirá-los da zona de conforto, funciona dez vezes mais do que um pay attention. Em relação ao uso do material e zelo, é OBRIGAÇÃO do professor de ensinar o aluno a usar material escolar e zelar pelo seu material e pela escola. Não espere que eles consigam fazer tudo com a maior destreza do mundo. É função da escola fazer com que os alunos desenvolvam suas habilidades motoras, cognitivas e social.

3. Não utilizar ações cotidianas e situações para ensinar a língua. Todo e qualquer momento com o aluno é precioso. Aproveite cada segundo da sua aula para ensiná-los a falar inglês. Desde lavar as mãos até amarrar o tênis. Não desperdice momentos como esses que podem ser ricos para a aprendizagem da língua.

4. Não dê menos do que eles podem fazer. Alguns professores poupam os alunos de usarem frases mais longas ou complexas, ou ainda aceitam o mínimo (exemplo: yellow ao invés de it´s yellow) porque julgam erroneamente que só isso é o suficiente e que mais que isso pode ser muito para o aluno. Exija sim frases completas. Exemplifique, faça-os repetir, seja modelo e exija sim sempre mais. É claro que você precisa analisar a faixa etária e o nível do aluno. Mas não seja tímido ao querer respostas que sejam mais complexas. Pelo contrário, seja persistente.

5. Senso de humor, paciência, desapego. Se você quer ensinar inglês para crianças, você vai ter que rir de si mesmo, ser paciente e deixar de lado suas vaidades. Para trabalhar com criança, você precisa agir como uma de vez em quando: rolar no chão, pular, brincar.Você vai se sujar, vai se descabelar.

Veja também: http://madeforteachers.com.br/2013/09/11-erros-cometidos-por-professores-de-ingles-que-lecionam-para-criancas/

Algumas colocações feitas aqui também estão presentes neste artigo.

 

As vantagens de utilizar o Web Planning na Educação Infantil

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Há várias formas de se planejar as aulas e os conteúdos que serão aplicados em sala de aula.

Confesso que meu preferido ainda é o web plannning. Por meio desta estratégia, é possível fazer um levantamento de tudo que pode ser feito em relação ao tópico que será trabalhado e depois seguir a partir dali.

Por meio do web planning, você consegue observar se conseguiu contemplar o tema de todas as formas possíveis e quais matérias estará trabalhando ao mesmo tempo que ensina o conteúdo. Se você não trabalha com material didático, web planning lhe ajuda a não se perder em relação ao que e como você irá ensinar os seus alunos. Terá você pensando e destrinchado realmente todas as possibilidades para aquele tema em questão?

É importante ressaltar, que está não é a única forma de começar um planejamento e que cada profissional deve achar sua melhor forma de iniciar esse processo. E que também, o web planning não inclui objetivos gerais e específicos.

Eis um exemplo retirado do livro: Inglês é 10,  da Lilian Itzicovitch Leventhal.

web planning

Bom planejamento!